bach


FILOSOFIA



ÁMEN – Um Mantra Cristão

Ouve, e a tua alma viverá.
Isaías, 55,3

O poder da música para produzir emoções (individuais ou colectivas) ou para tornar as pessoas emocionalmente iguais durante algum tempo tem sido útil nas organizações religiosas e militares. De todas as artes, a música é a mais própria para agir sobre a inteligência.

O som (ou música) é um poder físico e não apenas emocional, intelectual ou espiritual. O corpo reage directamente a certas ressonâncias, timbres e ritmos, factos bem conhecidos desde o alvor da civilização.

O mantra é uma palavra ainda muito usada nas cerimónias religiosas do Oriente. É uma fórmula de encantamento, de valor mágico, constituída por sílabas ou palavras místicas, que representam a raiz de uma concepção mágica de elevação ou de uma concepção cósmica. Esta fórmula é uma "Palavra de Poder" que também é usada no Ocidente e no cristianismo. Pode ser dita ou simplesmente pensada, forma que é considerada mais perfeita. Um dos mantras mais conhecidos é AUM ou OM. Usa-se na frase Aum, Mani Padme, Hum, como expressão laudatória ou glorificadora. As sílabas-chaves são Aum e Hum.

No Ocidente, os "pagãos" também usavam mantras, como sabemos, nas suas palavras de júbilo, durante certas cerimónias rituais. Como palavra de poder associadas à aplicação mágica dos sons e tons (música), o seu uso é frequente nas obras alquímicas ou herméticas. Também está associado à ortodoxia hebraica e cristã. Baseia-se numa teoria desenvolvida em todo o mundo, em íntima consonância com o uso da música e dos tons harmónicos capazes de alterar a consciência e o conceito amplo de um Verbo original e criador, isto é, com a origem espiritual de toda a existência. Note-se que a palavra "espírito" encerra a ideia de "sopro" ou "respiração"1, algo como um fluxo misterioso de energia proveniente do além.

Mantras Muçulmanos e Budistas

A universalidade dos mantras permite encontrá-los em diversas regiões do mundo. Os muçulmanos têm o Dhikr palavra árabe que significa "recordar" ou "invocar". O dhikr consiste normalmente na palavra El ou na frase Lâ ‘ilâh’ illâh-Llâh (Não há Deus senão Alá) A recitação desta frase é por vezes acompanhada de penitências (flagelação, exercícios respiratórios, etc.) que levam ao êxtase.

O dhikr islâmico corresponde ao nembutsu do budismo, à contemplação dos nomes divinos pelos cabalistas e à oração-do-coração. Esta oração é usada no misticismo cristão-bizantino, que tomou forma no Monte Atos, sendo uma espécie de ponte entre as técnicas espirituais do Oriente e as do Ocidente. Esta oração, também se chama "meditação secreta". Consiste na invocação do "Nome-de-Jesus", repetindo-o constantemente "dentro do coração", segundo um processo que parece não ter sido transmitido pela igreja latina. Tem por base o princípio de que, na ausência física, a invocação do nome torna a pessoa espiritualmente presente, com todo o seu poder. É por isso que os apóstolos agiam em nome de Cristo

Mantras Cristãos

O cristianismo também usa vários mantras. Por exemplo: AMÉN, ALELUIA, HOSANA ou KYRIE ELEISON. Se estas palavras fossem traduzidas perderiam todo o valor. Foi por isso que os tradutores as mantiveram inalteradas, sendo esta a primeira regra para as utilizar com êxito. Mais adiante faremos referência à segunda. O mais importante destes mantras é o primeiro: amén. Alguns estudiosos admitem uma até uma relação de parentesco entre as palavras aum e amén.

Efeito dos Mantras

O uso dos mantras baseia-se no efeito do som sobre a matéria. A matéria (e o nosso corpo físico) está num estado de vibração contínua. Qualquer pensamento, desejo ou som altera as vibrações básicas do corpo. O mantra actua, portanto, segundo as leis da ressonância. Existem vários métodos para combinar sons vocais, padrões instrumentais e harmónicos com a teoria da "palavra de poder". O mais antigo conceito de "palavra de poder" (ou "palavra perdida) está associado com o "centro da laringe", à emissão do som criador e à sua acção organizadora (talvez ainda alguém se lembre das "figuras sonoras" usadas para despertar a atenção dos alunos: grãos de areia e partículas de pó derramado numa placa de vidro assumem formas simétricas muito bonitas quando o bordo da placa é tangido por um arco de violino). Na palavra amén há duas vogais orais: "a" e "e". A passagem de "a" a "e" é uma consoante nasal, "m". A terminação é também uma nasal, "n". A técnica consiste em concluir a ressonância da letra "a" com o zumbido murmurante final da letra "n". Esta letra "empurra" o som para cima, até ao nariz, produzindo efectivamente uma ressonância no interior das narinas, nas cavidades nasais superiores e na região limítrofe. É a região indicada como o "assento do espírito interno" ou "centro de energia da testa". Está directamente ligada ao corpo vital, que é sensibilizado pela oração e o ponto de partida do desenvolvimento espiritual, A ressonância física da letra "n" é o prenúncio do despertar desse centro de energia porque ajuda os veículos internos a organizarem-se.

O efeito físico dos mantras aum e amén é bem diferente. O primeiro faz vibrar a região do ventre e do púbis. O segundo, pelo contrário, faz vibrar a cabeça, a garganta e o tórax. Segundo a maneira de pensar e sentir do asiático, o centro da vida humana está no ventre. Bem pelo contrário, no Ocidente, o homem vive "graças à sua cabeça"2. Este exemplo alerta claramente para a inconveniência de os ocientais usarem métodos desenvolvidos no Oriente3.

Cabe ainda referir a segunda condição para a eficácia do mantra: a maneira correcta de o dizer, em estado de "consciência mântrica"4. Handel dá-nos uma lição sobre a arte de pronunciar tão importante mantra como é o amén, na sua oratória O Messias. É onde encontramos uma das suas ex-pressões mais poderosas. E se quisermos outro exemplo poderemos recorrer ao rosacruciano Bach e à sua Missa em Si menor para ouvirmos (e sentirmos) o tremendo efeito do Hosana.

Há Palavras e Palavras

Muito mais do que uma vulgar palavra, sinal de pontuação ou fórmula de conclusão5 o amén é, na concepção esotérica, uma palavra de poder equilibrado, um mantra que ajuda a despertar o fogo interior e a abrir os centro de força que nos colocam em sintonia com mundos mais elevados.

Ariel

Bibliografia
Berendit, Joachim-Ernst – The World is Sound, 1991; Cuttat, J. A. – O Encontro das Religiões, 1968; Goldman, Jonatham – Healing Sounds, The Power of Harmonics, 1992; Stewart, R. J. – Music and the Elemental Psych, 1987; Vasconcelos, Evaristo de – Do Mantra Oriental à "Oração-de-Jesus", in "Brotéria", nº 5-6, vol. 136 (1993).

Discografia

Bach, J. S. Missa em Si Menor, BWV 232, Archiv Produktion, CD 415 514-2; Handel, G. F. O Messias, versão de W. A. Mozart, KV 572, Hanssler, CD 98 975; Chant des Derviches de Turquie, La Cérémonie du Zikr, Arion, CD ARN 64061; Music Sacrée des Moines Tibétains, Arion, CD ARN 64078.
1. Ruach em hebraico, pneuma em grego. Ver M. Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, 2ª ed. pág. 271.
2. Bertold Brecht, A Ópera dos Três Vintens.
3. M. Heindel, id., pág. 344.
4. Francisco Marques Rodrigues, Estudos, manuscrito 4312 da Biblioteca da Fr. Rosacruz de Portugal, 1952, (inédito).
5. Vd. F.C. O Credo Cristão, in "Rosacruz", nº 333, Julho/Setembro, 1994.

Fonte: Revista Rosa Cruz


 

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2 thoughts on “bach

  1. Post mais que perfeito….
    Só mesmo vindo de quem vem!
    — __O–_ \\|-_-(_)/ (_) 15Km…
    ——- __O——_ \\|-_—–(_)/ (_) 30Km…
    ———- __O———_ \\|-_——–(_)/ (_) 40Km…Melhor eu pegar uma boleia né!?!——————————– ….()""()——————————– .("( \’o\’ )——————————– ,-(____)|\’–.——————————– "=(o)==(o)=\’ 150Km…Eiiiiita!!!Demorei mas consegui!!! Vim correndo p/ desejar um fim de semana maravilhoso……\’ <>..<>…….\’ (=\’;\’=)…. (te adoro)……. (")…(") … MUITOS BEIJOS …
     
     

  2. Passando p te ler!!!!!
    Acho tudo muito interessante…gostaria de poder entender tudo…mas é muito complicado!!!
    Chego lá… tenho paciencia…
    Aproveito p deixar um beijo e te desejar um bom final de semana!!!

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