Chopin

Frederico Francisco Chopin, na opinião de Kleczynski, foi antes uma alma que se revelava do que um músico.  Só conseguia improvisar quando se encontrava sob a ação mediúnica, tanto assim que muitas vezes, ao colocar os dedos no teclado, a improvisação era deveras surpreendente, ao passo que vezes outras permanecia extático, sem que desse teclado conseguisse tirar um só acorde que fosse.

Quando criança ainda fazia-se ouvir, em suas improvisações, no salão do Grão-Duque Constantino, ocasião em que ficava com o olhar perdido no espaço.  O Grão-Duque, certo dia, perguntou-lhe:

– Meu menino, por que olhas sempre para cima?  Será que lá vês as notas que compõem as melodias que executas?

Chopin foi indiscutivelmente um médium de muita sensibilidade, haja vista o fato de ele permanecer muitas vezes diante do piano, com o olhar perdido no infinito, extremamente pálido, e, quando alguma pessoa amiga o surpreendia nessas ocasiões, ele, só depois de alguns instantes, conseguira reconhecê-la.  Durante e após essas crises de exaltação nervosa, na opinião da época, pois que tais crises nada mais eram que simples êxtases, é que ele compunha suas magistrais páginas.  Há que afirme que diversos de seus Prelúdios nasceram dessas angústias, isto é, desses transes mediúnicos.

Quando Chopin iniciou seu primeiro concerto em Paris, estavam presentes Liszt e Mendelssohn e ambos compreenderam, desde logo, conforme escreveram seus biógrafos Henry Thomas e Dana Lee Thomas, que era Deus que falava pelos dedos de Chopin!

Na Maiorca, a maior das ilhas Baleares, esteve ele certa ocasião em vilegiatura, habitando velho casarão que servira de convento cem anos antes.  Pois bem, nesse velho casarão via ele, com freqüência, fantasmas de frades que andavam pelos corredores escuros, e ouvia cânticos religiosos.

As suas valsas, tão suaves, fazem que o Espírito experimente ânsias de abandonar os grilhões que o prendem ao corpo carnal, a ponto de Ehlert denominá-las de “danças da alma e não do corpo”.

Chopin, não obstante ter sido educado na religião católica, como era natural que assim o fosse, naquele tempo, sentia, através de seus dotes medianímicos, que a vida prosseguia exuberante além da campa, porque ele via Espíritos, ouvia as magnificentes harmonias siderais e também o cântico extasiante entoado pelas almas resplendentes de luz, e, por isso, evitava externar-se sobre assuntos de religião.

– Para não magoar minha mãe – manifestou ele ao Abade Jelowick -, não quero morrer sem os sacramentos, mas, devo dizer-lhe que não os compreendo naquele sentido que a Igreja lhes empresta.

Até o último instante de permanência na Terra, não vacilou na sua crença “nesse outro dia que viria após a noite”.

São admiráveis estas suas derradeiras palavras:

– Quando eu me tiver ido, toquem um pouco de música para mim, pois sei que hei de ouvi-la no Além.

Soavam 2 horas da madrugada do dia 17 de outubro de 1849, quando o Espírito Frederico Francisco Chopin se desprendeu do invólucro carnal, e a “Presse”, de Paris, em seu número de 05 de novembro de 1849, referindo-se à sua desencarnação, assim terminou o artigo: – “A imortalidade começou cedo para ti e, melhor que nós, já sabes onde devem desabrochar depois desta triste vida, os grandes pensamentos e sublimes aspirações”.

Foi, indiscutivelmente, um médium, um missionário que, com sua música, nos deixou uma fonte de sonoridades para reconforto de nossas almas neste mundo de tanto egoísmo, brutalidade, ambição!

 

Fonte: O mensageiro

Livro: Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo

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