Revista nº 355 – Março/2000


CARTAS A CRISTINA


"Que as Rosas Floresçam na Vossa Cruz"

Prezada Amiga:

A frase que serve de título não é conhecida, por ser usada apenas nas reuniões dos Rosacrucianos. Tem, portanto significado íntimo, reservado aos membros da Fraternidade Rosacruz. Mas vou elucidar-te acerca do seu simbolismo.

Ao abrir os trabalhos da Fraternidade, quem está na presidência, saúda em dado passo os assistentes com as palavras: "QUE AS ROSAS Floresçam NA Vossa CRUZ". E eles respondem: "E NA Vossa Também".

Quando o Rosacruciano escreve cartas aos companheiros de ideal, encerra-as com a mesma frase.

Aos estranhos, estas palavras nada podem dizer, porque não possuem a luz mística que envolve e aquece os corações dos rosacrucianos; mas para estes, a frase lembra-lhes que o seu dever é cultivar rosas nos seus próprios corações. E como as rosas simbolizam as mais altas virtudes que todos podemos cultivar, os rosacrucianos estão sempre prontos para essa delicada cultura.

A cruz é o corpo, que torna o seu ocupante visível aos outros seres. Feito de quatro elementos, simbolizados nos quatro braços da cruz, o nosso corpo é um grande mistério! Como se forma? Corpo se dilui? A ciência, limitada pelas religiões no que se refere aos domínios espirituais, não estuda este mistério! As pessoas dadas ao estudo da ciência, não podendo ajustar certos conceitos religiosos aos seus conhecimentos académicos, desprezam o grande mistério, preferindo viver apenas no campo material. A isto se chama materialismo. Porém, as hierarquias que conduzem a evolução dos seres terrenos, ensinam-nos que o corpo que temos é feito de uma urna combinação de elementos: fogo-ar, água-terra. E assim, imperceptivelmente, estes elementos, reunidos em dois pares antagónicos, dão origem ao corpo, pela acção do Ego ou Espírito, que, depois, o habita. Todavia quando corpo, por doença ou por velhice, começa a tornar-se um obstáculo para o Espírito, deixa-o. Este abandono do corpo pelo Espírito é o que se chama morte. E é a morte faz regressar os elementos ao seu primitivo estado: fogo-ar, terra-água.

E a vida, será apenas isto?

Os mesmos Seres dizem-nos que não! Que isto é apenas o princípio, e que o fim é a experiência, que nos acumula conhecimentos e desenvolve a consciência.

Entre o nascimento e a morte vamos agindo, praticando boas acções e colhendo os seus efeitos, bons ou maus, em harmonia com a sua natureza; e desta maneira começamos a compreender que o mal nos traz o mal, a tristeza, o arrependimento ou a vergonha de sermos tão vis que não respeitamos os nossos semelhantes, nem os ajudamos na sua evolução. Este estado de consciência é a preparação para começarmos a rever as nossas atitudes, a modificar os nossos maus hábitos. E desta maneira iniciarmos a marcha no sentido de encontrar a saída do estado confuso em que vivemos, para entrarmos no caminho florido e perfumado da virtude. Porque dos bons actos que praticámos fica-nos uma satisfação pura, que nos levará a repetir as boas acções. É assim que as virtudes começam a florir sobre a nossa cruz, isto é, o corpo, que permite tornar visível, palpável e terrena, a forma divina que a precede.

"Que as rosas floresçam na vossa cruz" é uma saudação fraterna e ao mesmo tempo uma chave para abrirmos a porta que nos dá passagem do mundo ilusório, onde a ignorância impera, para um mundo luminoso, onde a sabedoria está ao nosso alcance, sem exigir grandes esforços!

A rosa é uma flor estranha! A sua forma, a sua cor, o seu perfume, o motivo da sua existência, são para nós um código de moral e de ciência, mas poucos são os que podem compreender e estimar estas grandes verdades, que só o comportamento virtuoso nos pode revelar. Por este motivo o Rosacruciano não se esquece das virtudes, simbolizadas nas rosas sobre a cruz.

De tudo que antecede tu compreenderás que só é Rosacruciano aquele que vive sincera e definitivamente a lição das rosas; porque todo aquele que se diz rosacruciano mas não o é pelo coração, está fora da classificação! Mas, algum dia poderá estar dentro dela, porque este título conquista-se pelas virtudes, que pedem uma cultura persistente.

Teu do coração

Cristófilo

RosaCruz


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