“O Medo”

 
 
 
“Assim, o homem que deseja compreender a morte tem de compreender a vida.
E o viver não é isso que chamamos “viver”, esse campo de batalha existente tanto em nosso interior como exteriormente.
O viver é coisa inteiramente diferente, na qual nenhum medo existe.
E para nos livrarmos do medo temos de estar livre desde o começo, para podermos examiná-lo, investigá-lo, penetrá-lo.
Vê-se então que viver é morrer, porque o viver é de momento em momento.
O que tem continuidade é o desespero e não o viver; e quando há desespero, é claro que há pensamento.
É desse modo que se cria o círculo vicioso do pensamento.
O problema da vida consiste unicamente em operar-se uma mutação, não numa data futura, porém imediatamente, instantaneamente; e essa mutação instantânea só pode verificar-se quando estais completamente atento”.
 
“Para compreenderes a vida, não podeis negar a vida.
Para compreendê-la, tendes de vivê-la.
E não podeis vivê-la se não sois livre, livre desde o começo, desde a infância mesmo, para olhar, observar, escutar, sentir.
Em virtude desses observar, escutar, olhar, a pessoa se torna delicada, afetuosa, atenciosa, cortês: Há então um próximo.
Onde há consideração há afeição, e esta não é produto do intelecto.
E, quando tendes tal afeição, talvez então daí provenha o amor – não no tempo, não amanhã”.
 
 
KRISHNAMURTI, Jiddu. Viagem por um Mar Desconhecido. Tradução de Hugo Veloso. São Paulo: Editora Três, 1973.
 

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