Desabafo

 
 
"Oh! amigos, pudera eu voltar atrás. Desencarnei e muito mais tarde tive conhecimento de vidas atrasadas. Em algumas vidas que vivi tive grande influência na corte e numa delas cheguei a ser desterrado, porque nem todos estiveram de acordo comigo. Foi em terras de Pombal que me penitenciei.
Mais tarde reencarnado, voltei a este país. Filho de pais humildes, nunca aspirei a sair da mediocridade. Dotou-me Deus de argúcia e inteligência, e o meu gosto pelo estudo levou-me á custa de muito sacrifício a tirar um curso superior. Mais tarde doutorei-me em Economia. Fui professor catedrático.
Um dia alguém me humilhou por minha origem humilde. Fiquei susceptilizado e jurei que havia de ser grande e ter poder na mão. Embora sem grande dom de palavra, era convincente e bom professor. Um dia, comecei a interessar-me pela política, e foram longos os anos que tomei as rédeas deste país. Alguns de vós ainda fizesteis parte dos homens que compunham o povo desse tempo.
Alguns me amaram, outros apenas me suportaram e outros ainda me odiaram; porém, tenho que vos dizer que nem tudo do que me acusaram foi verdade.
Acusaram-me de atrofiar a evolução do país. Acusaram-me de déspota, de usúario e até de ditador. Acusaram-me ainda de explorador. Descuidei determinados sectores, concordo que de certo modo fomentei o analfabetismo, não protegi convenientemente a velhice e a infãncia; descuidei as regalias laborais e outras, confesso que estive muito aquém do que me era devido, mas tenho minha alma em paz em relação á riqueza. Nada quis para mim. Não usufrui do dinheiro do país em meu próprio proveito. Desencarnei e não deixei fortuna. Também não me acusa a consciência de algum dia ter esbanjado um centavo do dinheiro que apenas deveria ter sido gasto em proveito do povo.
Fui criado humildemente, conheci as necessidades inerentes aos jovens pobres com ambições; conheci um Portugal pobre e revolucionário, talvez que tudo isso tenha contribuido para que se desenvolvesse em mim um exagerado sentido de economia.
Ao assumir o poder jurei a mim mesmo estabelecer a ordem e amealhar o mais possível no intuito de aumentar o tesouro do país.
Por ignorãncia espiritual não conduzi as coisas da melhor forma, mas amigos, ainda sou muito imperfeito e assim foram muitos os erros que cometi.
Protegi a igreja, talvez por débito para com o catolicismo. Já neste lado da Vida, soube o que numa vida atrasada fiz aos irmãos Jesuítas. Como me sinto envergonhado!
Tal como o meu sucessor, concordo e fico feliz por ver o nosso Portugal progredir intelectual e socialmente.
Outros fizeram aquilo que eu deveria ter feito e não fiz. Bem hajam! Reconheço porém que ainda há muito por fazer.
Sinto-me arrependido por muitas coisas que fiz, mas ladrão jamais o fui.
Procurei por todos os meios livrar-vos das guerras, da banca rota e das pestes. Nem tudo consegui. Da fome não fui capaz de vos livrar, porque dado o meu sentido de economia, por motivo de precaução, era minha convicção enriquecer o tesouro do país.
Ilusóriamente dei mais valor ao dinheiro do que á evolução e ao progresso. Errei, péço-vos desculpa.
Nada fiz para mim, nem por mim. Em meu proveito apenas quis provar a quem me humilhou e me negou sua filha em casamento, que um homem humilde de criação, pode pela sua inteligência e valor dominar um povo do qual  fazia parte. Foi outro dos meus erros.
Hoje conhecedor das reencarnações, quem sabe se eu não voltarei um dia para fazer tudo aquilo que devia ter feito e não fiz.
Rogo ao Pai perdão por minhas faltas. E a vós, perdão pela minha ignorãncia espiritual, que me levou a que por vingança e soberbia, governasse um povo a quem tanto sacrifiquei.
Orai por mim."
 
A.O.S.
  
Psicografia de Lucinda
Coloco a imagem do nosso querido ditador arrependido em roda pé.

Kim
 

salazar

2 thoughts on “Desabafo

  1. Olá querido Kim!
    A psicografia é uma dávida de Deus e muitos são aqueles que não a sabem interpretar!
    É no silêncio que Deus nos espera e muito nos ama! Ele vive intensamente no nosso jardim interior!
    Encontra – o e seras muito feliz! Beijokinhas de luz divina!
    P.s – Passa pelo meu espaço ontem escrevi algo belo! Deverias gostar de ler!
     

  2.  

    De «DO PAÍS DA LUZ», de Fernando Lacerda
    DEUS
     
                              I
     
    Largos anos passei, aí no mundo,
    A pensar, meditando na existência
    De Deus, – o Ser de paz e de clemência,
    Fonte de todo o amor puro e fecundo.
     
    Eu fiz, na sua busca, estudo fundo
    Através toda a humana consciência,
    E dos ínvios caminhos da Ciência
    Pela Terra, no Mar, no Céu profundo.
     
    Bem desejava achá-lo, amá-lo e vê-lo.
    E servi-lo, adorá-lo e conhecê-lo.
    Em doce crença inalterável, viva.
     
    Mas não o vi jamais, porque, mesquinho,
    Enveredei aí por mau caminho:
     – O trilho da ciência positiva.
     
     
                              II
     
    Eu devia buscá-lo onde Ele mora:
    Na suma perfeição da Natureza
    E no esplêndido encanto e na beleza
    Do Céu, do Mar, da Luz, da Fauna e Flora.
     
    Eu podia encontrá-lo em cada hora
    Nessa vida: no Amor e na Pureza,
    Na Paz e no Perdão, e na Tristeza
    E até na própria Dor depuradora.
     
    Mas eu andava cego e nada via;
    E a Vaidade escolheu para meu guia
    A Ciência falaz, enganadora!
     
    Se o Guia fosse a Fé ou a Bondade,
    Vê-lo ia daí na Imensidade,
    Como, em verdade, O vejo em tudo agora.
     
     
     
                                A. Q.
     
     

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