A Viagem Obrigatória


Filosofia


Preparação para a Grande Viagem

Se soubesse, positivamente, que algum dia mudava a sua residência para um país de que ignorava tudo e que poderia ser forçado a realizar essa mudança de um momento para o outro, o que faria?

Note que tal mudança apenas lhe diria respeito; não poderia levar qualquer membro da sua família, nem esposa, nem filhos, nem pais, nem amigos ou pessoas das suas relações.

Haveria, talvez, parentes ou amigos, que o teriam precedido nessa mudança e já residiriam nesse país, e outros que o seguiriam, mas de qualquer modo não o acompanhavam.

Que faria então? Não disporia as suas coisas para estar pronto a abandonar a sua actual residência? Deixaria passar os dias, meses e anos, vivendo a sua vida normal sem se preparar para essa viagem inevitável?

Uma tal mudança é uma coisa muito séria. Há sempre numerosos assuntos a solucionar, contas a satisfazer, vínculos antigos a romper. Com tempo, antes dessa partida inesperada, tudo se poderia fazer de maneira benéfica para todos.

Há ainda a considerar esse país desconhecido. Que condições de vida existirão lá e como enfrentá-las? Estaremos preparados para nos adaptarmos a essas condições?

Se um indivíduo nesta posição continuasse o seu dia-a-dia habitual, sem cuidados, comendo, bebendo e divertindo-se, sem se preocupar com essa mudança inevitável, senão para se esforçar por esquecê-la completamente, que pensaria do seu bom senso?

Todos os seres humanos estão exactamente na situação descrita!

Todos terão de fazer essa grande mudança de residência, ninguém sabendo a data ou a hora em que a fará.

Frequentemente um parente, amigo ou conhecido, parte da sua morada terrestre e desaparece do nosso convívio. Não compreendendo o mistério ocorrido ficamos impassíveis ou atónitos, espantados ou ressentidos, resignados ou receosos, conforme o nosso temperamento.

A maioria das pessoas não está interessada em falar ou mesmo pensar nessa grande mudança a que chamamos morte. Não a compreendem e, por consequência, temem-na!

O medo não é uma sensação atraente e, por isso, procura-se afastar para longe esse assunto desagradável, pensando nele o menos possível e, nunca evidentemente em relação a nós próprios.

Não obstante, chegaram os tempos em que é possível aos homens e mulheres inteligentes obter conhecimento de como vieram, porque estão aqui e para onde irão.

Cada vida neste plano terrestre não é mais do que um dia na Grande Escola de Deus. A Terra não é o verdadeiro lar de cada um de nós, assim como a escola também não é o lar de cada aluno.

O Mundo Celestial é o verdadeiro domicílio do Espírito, essa chispa divina temporariamente encerrada num tabernáculo de argila – o corpo. Desse domicílio celestial voltamos a este plano terrestre, vida após vida, a fim de aprender as lições que desenvolverão a nossa parte mais elevada, o Ego, até chegarmos a ser como o Pai, Supremo Arquitecto do nosso sistema solar e de tudo o que nele existe.

Em cada volta à Terra, tal como em cada dia escolar, estão-nos assinaladas certas lições para aprender, as quais nos ajudarão na tarefa do aperfeiçoamento em que andamos empenhados e teremos de saldar certas dívidas adquiridas em vidas anteriores, quando aprendíamos outras lições, o que a Igreja Católica chama PECADO ORIGINAL, que vem connosco da origem.

Todas estas dívidas foram contraídas por meio de acções erradas. As grandes leis que regem o Universo são justas e exactas e, ninguém pode escapar à sua acção, por isso, na medida em que ajudamos outros desinteresseiramente, algum dia teremos de receber na mesma medida; e se em vez de ajudar nós criarmos dificuldades, ofendermos ou prejudicarmos outrem, nessa mesma medida havemos de receber, porque os nossos actos sempre esperam por nós, tecem os nossos destinos.

A aprendizagem das lições relativas ao nosso desenvolvimento espiritual não implica penas e dores, mas é possível que nos tenhamos recusado a aprendê-las em harmonia perfeita com a Divina Lei, e se assim sucedeu teremos que aprendê-las sofrendo as consequências da nossa rebeldia aos divinos princípios que nos guiam pelo caminho do AMOR.

O egoísmo é a causa de quase todos os nossos pesares, pois engendra a cólera, o ciúme, a inveja, a avareza, o medo, a sensualidade, a crueldade, etc. Se cultivamos estas emoções poderemos estar certos de contrair dívidas do Destino que, cedo ou tarde, teremos de saldar.

Tudo é bom no Universo de Deus, mas a Humanidade, no exercício de uma faculdade que Deus lhe deu, o livre arbítrio, tem o poder de utilizar tudo quanto é bom para maus fins.

Por exemplo: foi necessário que o Homem no curso da sua evolução utilizasse os seus poderes e estivesse consciente de si próprio; mas não era necessário que fosse egoísta, que abandonasse os seus semelhantes e tivesse como objectiva principal da sua vida, adquirir tudo o que pudesse alcançar, privando muitas vezes os outros daquilo que realmente lhes pertence.

Ao concentrar desta maneira a mente no seu Ego e nas coisas pertencentes ao plano físico, o Homem esqueceu-se gradualmente da sua residência celestial, até ao ponto de, presentemente, a grande maioria da Humanidade, ao funcionar nos corpos físicos, quer dizer durante a sua vida terrena, não tem memória alguma dos planos espirituais onde passa a maior parte do seu tempo, enquanto dorme e depois de terminar cada vida.

O Homem não somente se privou da memória inapreciável do mundo espiritual, mas também usou para fins egoístas os conhecimentos de natureza espiritual, que só deveria usar para fins elevados e ainda assim mesmo virtuosamente.

Não será tempo de nós – Deuses em potência – sairmos deste estado de coma e começarmos a buscar sistematicamente a Verdade, em relação a nós próprios, do nosso passado, presente e futuro?

Em primeiro lugar entendamos que o objecto da vida neste mundo é aprender as lições destinadas a desenvolver as potencialidades latentes em cada um de nós.

Podemos aprender estas lições por meio de alegria e felicidade, ou por meio de penas e dores. Compete-nos escolher a maneira de as aprender, mas é imprescindível que as aprendamos.

Que lições são estas? Estão contidas nos acontecimentos das nossas vidas diárias e são de paciência, tolerância, delicadeza, justiça, discernimento, bondade, caridade, humildade, fidelidade, generosidade, domínio de nós próprios e tudo o mais que possa ajudar o desenvolvimento espiritual tanto nosso como dos outros. Procuremos aprendê-las com a melhor vontade, pois são tão necessárias ao Espírito, como a comida é necessária ao corpo. E não esqueçamos que, ao termos aprendido todas as lições que certo meio ambiente tem para nos dar, as nossas condições de vida mudarão e teremos oportunidade de ir para outros lados.

Não é casualmente que estamos em certo país, nem que temos determinados pais, irmãos, parentes, amigos, inimigos, vizinhos, colegas, ofícios, etc. A família que temos e o meio ambiente em que nos movemos foi tudo por nós escolhido, com a assistência dos Senhores do Destino, quando estávamos no mundo espiritual, antes de renascer.

A duração da vida também é determinada no mundo celestial, antes do nascimento do indivíduo e depende das lições que tem de aprender e das dívidas do Destino que tem de saldar em cada renascimento. Há razões que fazem encurtar a duração da vida no plano terrestre e prolongá-la no plano celeste ou, ao contrário, mas em todos os casos o Ego é quem beneficia disso, porque todo o objecto da evolução é o desenvolvimento das potencialidades latentes no Espírito.

Finalmente, recordemos que a morte para muitos já não é a submersão na obscuridade, uma transição para um mundo desconhecido, mas uma partida consciente do denso plano físico para o mundo celestial, a verdadeira residência do espírito.

O espiritualista sabe que é um facto a vida depois da morte do corpo físico, e a ciência oficialmente estabelecida, por meio dos seus estudos e experiências, também virá a descobrir esta verdade. Vamos em grande avanço sobre o misterioso e invisível, pois vivemos na Era das grandes descobertas.

Então, a evolução da Humanidade progredirá tão rapidamente, que parecerá inacreditável ao mundo de hoje.

Versão de L. A.

Fonte: Revista Rosa Cruz


 

 

3 thoughts on “A Viagem Obrigatória

  1. Gostei da sua reflexão.E como a sua escrita é ligeira e fácil…….( Não gosto de coisas muito rebuscadas)…..prometo voltar mais vezes.

  2. Caro Joaquim Carlos:Não me meto na balbúrdia dos blogues onde os inúteis ou os desocupados ou os desinseridos socialmente passam o tempo a vasculhar isto e mais aquilo para se denegrirem mutuamente.O que escrevo, subscrevo e volto a subscrever sobre O Equador de Miguel Sousa Tavares não foi baseado em nenhum blogue, em nenhum artigo de revista, em nenhum comentário de televisão: fui EU que li o livro, fui EU que fiz a análise, fui Eu que tirei as conclusões que agora decidi publicar! Não preciso de recorrer ao que os outros dizem e escrevem para me pronunciar sobre Literatura, faço-o sozinha, porque tenho competência na matéria. Por outro lado, sei distinguir o MST escritor e o MST comentador de televisão (que deixei de ouvir há muito) e, se ele ataca os professores (parece que o fez, eu não ouvi!), só revela incoerência e falta de memória pois,durante anos, em livros e programas de TV,elogiou a professora das primeiras letras que, por acaso, foi…a minha mãe! Por causa dela é que eu li O Equador, exactamente, porque os elogios que o MST lhe foi fazendo ao longo dos anos levam-na a ter um carinho especial pelo ex-aluno e a ler a obra dele…e então, eu trouxe-o emprestado e li. A minha análise está feita desde essa altura e, se aproveitei o texto de Alexandre O\’Neill, na minha crítica, foi por outras razões que um dia esclarecerei.Não serei processada por MST, descansa! Não o acuso de plágio (não tenho provas que mo permitam) limito-me a classificá-lo, integrando-o no lugar a que pertence: um fabricante de best-sellers (ou de bestas céleres, como diz o O\’Neill) e pouco me importa que ele venda muito, porque eu envergonhar-me-ia de fazer o que ele faz para vender muito!Quanto ao Saramago…sabes, ele pertence há muito, antes mesmo de ser Prémio Nobel, a uma categoria excepcional de pessoas que,dificilmente,o vulgo compreenderá. É um criador, um artista, um homem dedicado à escrita a 100% desde os tempos difíceis em que largou empregos e partiu para o Alentejo (1976), para conhecer na carne a realidade daquela gente; e depois escreveu Levantado do Chão, que foi exactamente a primeira obra que li dele, no início dos anos 80. Sabes como ele viveu esse tempo? Levantava-se todos os dias de madrugada, ia com os camponeses, com quem vivia, para o trabalho, trabalhava com eles e à noite escrevia, na sua máquina de escrever, o resultado das suas impressões! Não escreveu logo topes de venda, isso demorou a acontecer e apenas em 1982 com o Memorial do Convento conheceu notoriedade (tinha 62 anos de idade). Mas, quando eu digo que «conheceu a notoriedade» isso não significa que Mafra tenha ficado orgulhosa porque a cidade foi engrandecida e conhecida internacionalmente, por causa do livro; pelo contrário, acho que não gostaram! Mais tarde, quando em 1998 recebeu o Prémio Nobel, com inteiro mérito, os portugueses continuaram a tentar denegri-lo: ele não faz pontuação, ele é antipático e arrogante, ele foi viver para Espanha, etc. etc. etc.! Em lugar de se orgulharem, pois a literatura portuguesa foi honrada com o maior prémio de todos, parece que ficaram com inveja, parece que prefeririam que fosse um estrangeiro a ganhar para poderem bajulá-lo à vontade…os portugueses são assim! Por outro lado, Saramago é comunista, todos o sabem e ele nunca o escondeu e nunca se renegou…como podem os pseudo-socialistas, os falsos democratas, os burgueses e outros que tal que por ai abundam abdicar do seu preconceito anti-comunista e admitir que Saramago é MESMO GRANDE?Quanto à acusação de plágio…nada digo porque apenas li o livro de Saramago, As Intermitências da Morte, e os excertos comparativos, relativamente à outra obra que vi no tal blogue, não me convenceram…quando tiver acesso a ambos, farei o meu juízo!Fico por aqui! Até sempre!

  3. Olá JoaquimPasseando pelos spaces, dei de caras com o seu e o titulo Filosofia xamou-me logo atenção…Mas dps de o ler e com ele acompanhar o raciocinio de mãos dadas, como é meu costume fazer, deparo-me a 1 verdadeiro nada!!!!Com todo o devido respeito, e não me considerando melhor ou pior k o Joaquim, fikei no vazio! : lugar onde a filosofia desagua qdo é oca e desprovida de Razão. Mas como a tdos é facultado o benefício da dúvida, tv seja eu que não esteje nos melhores dias de percepção!!!!E por tal hipotese ser colocada, apresento desde ja as desculpas pela impertinência… mas não posso deixar de insistir que me baralha com este texto ke no final foca uma revista como fonte e que dps afirma ser versão L.A. O meu simples e humilde parecer é o seguinte, caso lhe venha a interessar (mas supondo ser o Joaquim filosofo, tdo o filosofo k se preze é humilde na sua concepção), o texto que apresenta aborda temas variados!!! parece saltar do Pólo Norte pró Pólo Sul e no caminho fazer uma visita pelo Meridiano sem deixar de passar por Israel!!! tal situação desfocaliza qq seguimento recto de raciocino, a meu ver.Também de notar k cada tema abordado de raspão e sem qq objectivo final (a filosofia tem objectivos, n é qq coisa a pairar no ar deambulando pelas mentes ébrias) são tão vastos que cada 1 deles daria direito a 1 reflexao em separado.. é que nomeia-os e não os explica! é por nao ter expicação para dar?Ora o ke me trás aki, e dou por mim a escrever a alguem que não conheço, mas por isso mesmo me restrinjo apenas ao texto apresentado, é ficar sem saber qual a razao do Joaquim ter escrito ou ter postado algo assim, ou será que confundiu Filosofia com divagações ao relento?E pf satisfaça-me + 1 curiosidade minha, é esta a sua filosofia de vida? Realmente pensa assim do jeito como o texto está apresentado?Na realidade, e logo aqui nos spaces, tdos somos livres de escrever a loucura que kizermos… sim é verdade!!! mas pf , postar algo da kal nao faz a minima ideia do é???? É + 1 comportamento estranho do ser humano.Com tdo o devido respeitoSaudações

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